Suposta pesquisa eleitoral em Pernambuco apresenta inconsistências e cita cidades de fora do estado

A disputa pelo Governo de Pernambuco em 2026 ganhou novo episódio neste fim de semana com a divulgação, em alguns blogs locais, de uma pesquisa atribuída ao Instituto Simplex. O material circulou apontando queda expressiva do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e avanço da governadora Raquel Lyra (PSD). No entanto, a narrativa não resiste à checagem dos fatos e apresenta falhas graves de credibilidade.

Procurado pelo Blog Plural, o Instituto Simplex afirmou que todas as pesquisas oficiais estão disponíveis apenas em três canais: o site da empresa, os portais da CBN e o blog do jornalista Elielson Lima.

Consultados pelo blog, nenhum dos canais tem qualquer publicação sobre a suposta pesquisa eleitoral.

A empresa reforçou ainda que não comenta levantamentos internos eventualmente contratados por partidos ou campanhas, o que reforça que o material divulgado por alguns sites não faz parte de seus registros oficiais.

Vale ressaltar que a pesquisa foi comemorada tanto por aliados da governadora Raquel Lyra quanto pelo PSOL-PE, que deve lançar o ex-vereador Ivan Moraes na disputa. A legenda socialista chegou a publicar nas redes que o ex-parlamentar teria mais de 130mil votos de acordo com a Simplex.

Erros nos dados divulgados

O levantamento apresentado pelos blogs já chamava atenção por inconsistências nos números, mas a própria descrição da metodologia levanta suspeitas. Segundo tais sites, a pesquisa teria ouvido eleitores em 180 municípios pernambucanos. Entretanto, o resultado final publicado ao qual o Blog Plural teve acesso abrange apenas 173 localidades — e dentro desse número, 11 (6,7% do total) sequer são municípios de Pernambuco.

Entre eles, aparecem cidades de outros estados, como Guanambi (BA), onde Raquel Lyra surge com 100% das intenções de voto, mesmo estando a mais de 1.300 quilômetros do Recife. O mesmo ocorre em Janaúba (MG), a 1.500 km da capital pernambucana, também incluída indevidamente na amostra. Municípios como Mulungu, seja na versão paraibana ou cearense, também entraram na lista sem justificativa.

Distritos tratados como municípios

Outro ponto questionável está na inclusão de distritos e povoados pernambucanos como se fossem cidades autônomas. Distritos de Caruaru, reduto eleitoral de Raquel, como Gonçalves Ferreira e Vila do Juá, foram listados separadamente, ambos apontando 100% para a governadora, mesmo que Caruaru já tenha sido contabilizado no conjunto. Essa duplicidade levanta suspeitas de inflar artificialmente a força eleitoral da atual gestora.

Casos semelhantes ocorrem em localidades como Camela (Ipojuca), Gravatá do Ibiapina (Taquaritinga do Norte), São Caetano do Navio (Betânia), São Domingos (Brejo da Madre de Deus) e Rajada (Petrolina), todas contabilizadas como se fossem municípios independentes, sem explicação técnica plausível.

Levantamento inválido

Com erros metodológicos, menções a cidades de outros estados e sobreposição de distritos, o levantamento divulgado em blogs carece de legitimidade. Não consta nos canais oficiais da Simplex e não deve ser tratado como um retrato válido do cenário eleitoral pernambucano.

Mais do que apontar tendência, a peça expõe a necessidade de rigor na apuração e divulgação de pesquisas eleitorais, sobretudo em um ambiente de forte disputa política.

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