Coluna Plural (19/09): PT vota contra combate às fake news (e pouca gente percebeu)

Quase despercebida no noticiário político, a votação que derrubou a criação da Frente Parlamentar pela Integridade da Informação e Combate às Fake News na Alepe, na última terça (16), acabou revelando uma contradição difícil de justificar. Entre os 25 votos contrários, chamou atenção a posição dos deputados estaduais do PT (exceto Rosa Amorim, ausente na sessão), que se juntaram à maioria para barrar a proposta apresentada por Júnior Matuto (PRD). A decisão surpreendeu, já que, em outras instâncias, o partido costuma levantar justamente a bandeira de enfrentamento à desinformação.

Em Brasília, os petistas fazem questão de se apresentar como protagonistas no debate contra as fake news, associando a prática ao bolsonarismo e cobrando punições exemplares para quem dissemina mentiras. No entanto, em Pernambuco, o comportamento foi o oposto: em vez de apoiar a criação de um espaço de fiscalização e enfrentamento no Legislativo estadual, os deputados da legenda atuaram para enterrar a proposta logo no nascedouro.

Essa incoerência não passa em branco. Afinal, de que adianta um discurso inflamado contra fake news em nível nacional, se, na prática local, o partido ajuda a bloquear instrumentos que poderiam coibir justamente esse tipo de prática? O contraste entre discurso e ação alimenta críticas de oportunismo político e coloca em xeque a coerência da atuação petista em Pernambuco.

O episódio reforça a velha máxima de que, na política, as decisões regionais nem sempre acompanham a linha adotada em Brasília. Mas também abre uma brecha para cobranças dentro do próprio campo progressista: se combater fake news é prioridade para o PT, não há espaço para vacilo quando o tema chega às assembleias estaduais. Nesse caso, o que parecia apenas mais uma votação de plenário acabou deixando exposta uma contradição incômoda.

Nota – Pernambuco obteve destaque duplo na avaliação fiscal realizada pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), divulgada nesta quarta-feira (17). O Estado conquistou a nota B+ na Capacidade de Pagamento (CAPAG) e, ao mesmo tempo, garantiu novamente a nota máxima (A) no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal (ICF), com índice de 97,17% de aproveitamento.

Indenização – O governo federal espera começar a pagar ainda este mês as primeiras indenizações às famílias de crianças com deficiência permanente causada pela síndrome congênita associada ao vírus Zika. Segundo o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), cerca de 1,6 mil crianças de todo o Brasil têm direito à indenização por dano moral de R$ 50 mil.

Depoimento – Por falar no ministro Wolney, ele confirmou que prestará esclarecimentos à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A audiência foi marcada para o próximo dia 9, na condição de convidado. A decisão ocorreu após ofício enviado pelo ministro ao colegiado, no qual apresentou datas de disponibilidade para comparecer e dialogar com senadores e deputados que compõem a comissão.

Caravana – O deputado estadual Renato Antunes (PL) cumpriu mais uma agenda no interior de Pernambuco com a Caravana por Mais Educação. Desta vez, o destino foi o município de Bezerros, no Agreste. O objetivo da Caravana é acompanhar de perto o cotidiano das escolas, identificar boas práticas e levantar demandas que contribuam para a melhoria da educação pública no estado.

Para refletir – Quem ganha quando um partido que diz combater fake news, como o PT, se recusa a fortalecer mecanismos contra a desinformação em Pernambuco?

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Marcelo Aprígio

Jornalista pela UFPE. Foi repórter de política e economia no Jornal do Commercio e editor de conteúdo do Portal NE10/UOL. DRT 7839/PE.