Coluna Plural (22/09): Por que uma bandeira estrangeira escandaliza e a outra não?

Nas últimas semanas, o debate político no Brasil ganhou um ingrediente curioso: o uso de bandeiras estrangeiras em manifestações. Há pouco mais de 15 dias, durante um ato da direita em defesa da anistia aos condenados de 8 de janeiro, uma bandeira gigante dos Estados Unidos foi estendida na Avenida Paulista. O gesto foi amplamente criticado, com justificadas acusações de submissão a interesses externos e falta de apreço pela soberania nacional.

Neste domingo (21), porém, o cenário se repetiu com outro protagonista. Em meio aos protestos contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia, em Belo Horizonte, uma bandeira gigante da Palestina tomou conta do ato organizado por setores da esquerda. Dessa vez, curiosamente, não houve críticas de igual intensidade. O símbolo, carregado pelo Comitê Mineiro de Solidariedade ao Povo Palestino, acabou roubando parte da cena em um protesto que tinha como foco a defesa da democracia brasileira.

É preciso deixar claro: os atos em si são legítimos, mobilizam pautas fundamentais e merecem ser respeitados. Tanto combater a anistia quanto se posicionar contra a PEC da Blindagem fazem parte da luta democrática. O ponto de atenção não está na agenda política, mas na incoerência do uso de símbolos internacionais quando a pauta é essencialmente nacional. Se a bandeira dos Estados Unidos foi alvo de críticas pela direita, por que a da Palestina passa incólume pela esquerda?

A verdade é que, em tempos de polarização extrema, até os símbolos têm sido usados para dividir em vez de unir. O Brasil, no entanto, já tem sua bandeira: verde e amarela, cores nossas. Ela deveria ser o elo entre cidadãos de visões distintas, a referência maior em atos que tratam do futuro da nossa democracia. O problema não é levantar bandeiras de solidariedade a outras nações, mas esquecer que, antes de tudo, é a bandeira do Brasil que deveria estar no centro de qualquer manifestação política em nosso território.

Frase do dia – “Não tenho dúvidas de que ele seria um grande senador para Pernambuco, vejo que ele está pronto, preparado para essa missão”. A fala é do ministro da Previdência Social, o pernambucano Wolney Queiroz, sobre o também ministro Silvio Costa Filho, que aparece dentre os principais pré-candidatos ao Senado Federal na eleição do próximo ano.

Ícone do jornalismo – Para celebrar a marca de 20 anos de jornalismo digital, o jornalista Jamildo Melo promove um grande jantar para reunir amigos e leitores no dia 6 de Outubro, a partir das 18h, no Mirante do Paço, localizado no Paço Alfândega, no Recife Antigo. O jantar terá parte da renda revertida para instituições de caridade. 

Ampliação – A unidade da Aché Laboratórios Farmacêuticos em Suape vai passar por uma ampliação de R$ 267 milhões, com previsão de 3 mil empregos diretos e indiretos. A nova etapa terá 13.565 m² e permitirá a produção de medicamentos estéreis, com capacidade anual de 40 milhões de unidades.

Top 100 – O município de Gravatá foi reconhecido nacionalmente no Ranking de Competitividade dos Municípios 2025, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP). A cidade conquistou a 92ª colocação no pilar “Funcionamento da Máquina Pública”.

Para refletir – Se a crítica à bandeira dos EUA foi legítima, por que o silêncio diante da bandeira da Palestina?

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Marcelo Aprígio

Jornalista pela UFPE. Foi repórter de política e economia no Jornal do Commercio e editor de conteúdo do Portal NE10/UOL. DRT 7839/PE.