Principal nome do bolsonarismo no estado, Gilson Machado se desliga do PL, enfraquecendo legenda

A saída de Gilson Machado do Partido Liberal (PL) representa um duro golpe para o projeto eleitoral da legenda em Pernambuco. Considerado o principal nome do bolsonarismo no estado, com forte desempenho nas urnas e capilaridade junto à base conservadora, Gilson deixa o partido em um momento estratégico e esvazia as chances do PL de disputar, em condições de igualdade, as eleições majoritárias e proporcionais de 2026.

Em carta aberta divulgada nesta semana, Gilson Machado comunicou oficialmente seu desligamento do PL, afirmando que a decisão foi tomada com “consciência tranquila” após cumprir seu dever como gestor público e militante político. Apesar da saída, ele reforçou que segue fiel aos ideais conservadores e mantém lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro.

O ex-ministro do Turismo destacou que continua sendo o nome defendido por Bolsonaro para a disputa ao Senado por Pernambuco, mas deixou claro que não foi o escolhido pela direção estadual do PL para cumprir essa missão. A divergência interna acabou acelerando o rompimento e abriu uma lacuna difícil de ser preenchida no partido.

Com mais de 1,3 milhão de votos obtidos em 2022 e a repetição de um expressivo segundo lugar em 2024, Gilson Machado era visto como o principal puxador de votos da legenda no estado. Sua presença fortalecia não apenas uma eventual chapa majoritária, mas também a formação da bancada federal, fator decisivo para que o PL pudesse enfrentar o PSB, partido que hoje domina o cenário político pernambucano e mantém ampla vantagem na Câmara dos Deputados.

Sem Gilson, o PL perde musculatura eleitoral e reduz drasticamente sua capacidade de bater de frente com o PSB na disputa por vagas federais, além de enfraquecer seu discurso de oposição no estado. A saída também expõe fragilidades na condução interna do partido em Pernambuco, que agora terá o desafio de reorganizar suas lideranças e buscar novos nomes com densidade eleitoral suficiente.

Mesmo afirmando que não muda de lado e que seguirá “na linha de frente da luta pela liberdade de expressão e contra perseguições políticas”, Gilson Machado deixa claro que seu projeto político segue vivo, ainda que fora do PL. Para o partido, porém, a perda do seu principal ativo eleitoral representa um revés significativo e um obstáculo a mais no caminho rumo a 2026.

Deixe o Seu Comentário