Discurso de virada de Raquel ignora consistência de João, que pode levar no 1º turno

João Campos ainda não disse, oficialmente, que é pré-candidato ao Governo de Pernambuco. Mesmo assim, todas as pesquisas divulgadas até agora caminham na mesma direção: vitória de João. Em muitos cenários, com chance real de resolver a eleição ainda no primeiro turno. E isso, por si só, já diz muita coisa.

É verdade que a vantagem sobre a governadora Raquel Lyra diminuiu em alguns levantamentos. Nada fora do esperado. Ainda assim, João continua favorito, mesmo enfrentando alguém que tem a cadeira, a caneta e toda a estrutura do Palácio. Em tese, esse seria o cenário ideal para quem busca a reeleição. Na prática, não é o que os números mostram.

Nas últimas semanas, vem sendo construída uma narrativa de que Raquel estaria no caminho da virada. O problema é que essa leitura ignora um ponto central: a campanha ainda não começou de verdade. João não colocou o time na rua, não está rodando o estado como candidato, não entrou no modo confronto. Mesmo assim, segue na frente. Uma consistência pouco vista na história para um candidato de oposição.

Quando o debate eleitoral apertar, a tendência é que o peso do governo comece a aparecer com mais força para o eleitor. Críticas à gestão, cobranças por resultados e insatisfações que hoje ficam restritas aos bastidores passam a ganhar espaço no dia a dia das pessoas. Governo em disputa costuma perder gordura nesse momento, não ganhar.

Além disso, há um fator que costuma ser tratado com cuidado, mas é decisivo: Lula. Em Pernambuco, o presidente segue muito forte e tudo indica que estará 100% alinhado com João Campos em 2026. Esse apoio não é detalhe e pode ser um divisor de águas na eleição.

Outro ponto é: João é o menos rejeitado de todos os candidatos postos. E quem conhece de política sabe que rejeição também importa. E importa muito numa disputa acirrada.

No fim, o cenário é simples. Raquel é governadora, mas ainda não conseguiu transformar isso em vantagem eleitoral clara. João, sem assumir candidatura, lidera com folga e observa o jogo à distância. Apostar numa virada agora parece mais desejo do que análise. A eleição nem começou e, até aqui, quem manda no placar é João Campos.

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Marcelo Aprígio

Jornalista pela UFPE. Foi repórter de política e economia no Jornal do Commercio e editor de conteúdo do Portal NE10/UOL. DRT 7839/PE.