Reação de secretário de Raquel sinaliza convergência com bolsonarismo e pode atrapalhar relação com PT

Um dos principais aliados da governadora Raquel Lyra (PSD), o secretário estadual de Meio Ambiente, Daniel Coelho (PSD), provocou reação no meio político ao curtir, nas redes sociais, uma declaração do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sobre a aliança com o Partido Liberal (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.

A manifestação ocorreu após Kassab afirmar, em entrevista à Jovem Pan de Marília, que o PSD caminhará separado do PL no primeiro turno, mas estará junto no segundo. “Tenho conversado com Flávio Bolsonaro. Temos uma relação clara, entendimento claro de que vamos caminhar no primeiro turno separados, mas seguiremos juntos no segundo turno”, declarou o dirigente partidário.

Daniel Coelho não ocupa um espaço periférico no governo. Ex-deputado federal e figura central na articulação política da gestão Raquel Lyra, sua reação pública foi interpretada, nos bastidores, como um sinal de alinhamento com a estratégia nacional do PSD, e não apenas como uma interação casual nas redes sociais. O que leva a crer que o núcleo estratégico da governadora sinaliza convergência com o bolsonarismo no plano nacional.

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O gesto ganha peso justamente por ocorrer em um momento em que a governadora tenta preservar canais institucionais com o governo Lula. Para o PT, no entanto, a declaração de Kassab já representa um obstáculo claro a qualquer construção política nacional. A curtida de um aliado direto de Raquel reforça a leitura de que o governo pernambucano está mais próximo do campo da centro-direita do que do entorno do Palácio do Planalto.

Além disso, o episódio expõe uma contradição incômoda para o Palácio do Campo das Princesas. Enquanto Raquel Lyra busca manter uma postura institucional de diálogo com Lula, aliados próximos demonstram simpatia pública por um projeto político adversário ao governo federal.

Na prática, a curtida de Daniel Coelho aprofunda as dificuldades para qualquer eventual apoio do PT à governadora em 2026. Sem sinais claros de reposicionamento político ou de distanciamento do bolsonarismo, a construção de uma aliança com o campo governista se torna cada vez mais distante.

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Marcelo Aprígio

Jornalista pela UFPE. Foi repórter de política e economia no Jornal do Commercio e editor de conteúdo do Portal NE10/UOL. DRT 7839/PE.