Com trava do STF, grupo de Álvaro Porto articula sucessão combinada na Alepe

A decisão já consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a eleição das mesas diretoras das assembleias legislativas mexe de vez com o tabuleiro da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Com a regra bem definida, permitindo apenas uma reeleição ou recondução para o mesmo cargo, o cenário para fevereiro de 2027 ficou completamente aberto e sem candidatura natural.

Na prática, o entendimento do STF impede a continuidade “automática” de Álvaro Porto (PSDB) na presidência, mas abre espaço para rearranjos internos. A vedação atinge apenas o mesmo cargo, o que permite que integrantes da atual mesa disputem outras funções. É justamente nessa brecha que começam a ganhar força as articulações de bastidor dentro do próprio grupo que hoje comanda a Casa.

Entre parlamentares, a avaliação é de que a sucessão deve ser resolvida sem ruptura. A solução que vem sendo ventilada aponta para uma reorganização interna no mesmo campo político. Pelo desenho em discussão, Porto poderia disputar a 1ª Secretaria, função estratégica do ponto de vista administrativo, enquanto Francismar Pontes assumiria a presidência.

A leitura predominante é que essa engenharia preserva o comando político do grupo, respeita o entendimento do STF e evita uma disputa desnecessária dentro da Casa. Seria uma troca de cadeiras combinada, feita no diálogo e no controle fino das forças internas: um verdadeiro acordo de cavalheiros.

Com a jurisprudência do Supremo valendo como regra para os Legislativos estaduais, a eleição da mesa diretora da Alepe deixa de ser apenas um rito formal, mas também não aponta, até agora, para uma guerra aberta. O jogo está sendo jogado no bastidor, com cálculo, conversa e alinhamento entre aliados. A ver.

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Marcelo Aprígio

Jornalista pela UFPE. Foi repórter de política e economia no Jornal do Commercio e editor de conteúdo do Portal NE10/UOL. DRT 7839/PE.