Seduh e Cehab detalham carteira de investimentos deR$ 7,8 bilhões em desenvolvimento urbano e habitação

Dados foram apresentados para associados ao Secovi e ao Sinduscon.

A Secretaria do Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e a Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab/PE) apresentaram os dados mais recentes referentes às ações do Governo de Pernambuco no segmento. As informações foram repassadas aos presentes em duas reuniões: um encontro nesta quinta (23/07) com representantes do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis e dos Edifícios em Condomínios Residenciais e Comerciais de Pernambuco (Secovi) e outro com associados ao Sindicato da Indústria da Construção Civil de Pernambuco (Sinduscon), na última segunda-feira (20/07).

No momento, a Seduh contabiliza uma carteira de investimentos da ordem de R$ 7,8 bilhões, englobando mais de mil intervenções e a geração de mais de 10 mil empregos diretos. O desdobramento dos recursos em execução em Pernambuco abrange setores como Desenvolvimento Urbano (R$ 2,4 bilhões), Educação e Esporte (R$ 1,4 bilhão), Saúde (R$ 972 milhões), Infraestrutura (R$ 965 milhões), Produção Habitacional (R$ 655 milhões), Segurança Pública (R$ 613 milhões), Convênios Municipais (R$ 529 milhões) e Melhorias Habitacionais (R$ 213 milhões).

A evolução do desembolso anual da Seduh registra uma passagem de R$ 123,7 milhões, em 2023, para uma projeção de R$ 3,0 bilhões em 2026. “A nossa atuação envolve o monitoramento da execução física e financeira dos empreendimentos, com foco no cumprimento dos cronogramas, das especificações técnicas e das normas aplicáveis. O diálogo com as entidades dos setores especializados contribui para o aperfeiçoamento dos processos e para o desenvolvimento das ações relacionadas à infraestrutura e à habitação no Estado”, pontua o secretário Rodrigo Ribeiro, à frente da Seduh.

Habitação
No caso do evento do Secovi, nesta quinta, o foco se voltou para a política habitacional, notadamente o programa Morar Bem Pernambuco. Pela modalidade Entrada Garantida – subsídio de R$ 20 mil custeado pelo Governo do Estado para pagamento da entrada do primeiro imóvel financiado pelo programa Minha Casa Minha Vida – foram R$ 517,9 milhões aplicados para atender mais de 25,8 mil famílias em 35 municípios, com a participação de 171 empresas da construção civil em 469 empreendimentos cadastrados.

No Entrada Garantida, o público-alvo prioritário (70% dos contemplados) possui renda média familiar de R$ 2.300, enquadrada na faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). “A aplicação do subsídio alavancou o uso do FGTS no estado, elevando o valor contratado de R$ 375,8 milhões, em 2017, para R$ 2,33 bilhões, em 2025. No Recife, a oferta de habitação de interesse social subiu de 160 UHs em 2022 para 1.428 em 2025”, detalha o secretário executivo de Habitação, Adriano Freitas.

A modalidade Reforma no Lar, focada no custeio de melhorias habitacionais até o limite de R$ 18 mil por imóvel, contemplou mais de 2.100 famílias até o momento. O desembolso acumulado do programa evoluiu de R$ 3,9 milhões, em 2023, para R$ 18 milhões em 2026. No campo da regularização fundiária, as ações alcançam 73 municípios e 128 núcleos habitacionais. O saldo de processos finalizados totaliza 15.414 títulos, enquanto outros 31.416 processos estão em andamento.

“A modelagem do Morar Bem atua diretamente no déficit habitacional por meio de seis frentes operacionais. O Entrada Garantida equacionou a exigência de renda de R$ 2.800 para R$ 2.300, permitindo o enquadramento de 70% dos beneficiários nas faixas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida. Além disso, a doação direta de 16 terrenos estaduais viabilizou propostas do MCMV FDS e a quitação integral de parcelas para não beneficiários de programas sociais garantiu a adimplência dos contratos”, sintetiza Rodrigo Ribeiro.

Desenvolvimento Urbano
A carteira de obras da Seduh e da Cehab alicerça um ciclo de transformações estruturais em Pernambuco, somando mais de R$ 1,8 bilhão em investimentos distribuídos para atuar em paralelo ao desenvolvimento sustentável, à resiliência urbana e à integração com os municípios.

De acordo com Francisco Sena, secretário executivo de Desenvolvimento Urbano, a carteira de investimentos segue critérios de planejamento, viabilidade técnica e controle de execução físico-financeira. “Acompanhamos de perto os canteiros vitais, como a contenção em Jardim Monte Verde e o alargamento da Pan Nordestina, ambos concluídos, enquanto garantimos celeridade no fluxo de licitações do Ilumina PE e dos convênios municipais, assegurando a conformidade técnica e a qualidade final de cada projeto”, ressalta.

Dentro desta matriz orçamentária, a Mobilidade Urbana concentra R$ 410 milhões destinados a 23 obras voltadas para a fluidez e a integração metropolitana, com destaque para intervenções como o Ramal da Arena, o alargamento da Avenida Pan Nordestina e a ampliação do Terminal Integrado de Igarassu. Paralelamente, a contenção de encostas conta com R$ 375 milhões aplicados em 26 intervenções que atuam na proteção de áreas críticas, garantindo a prevenção de desastres em localidades como Jaboatão (Jardim Monte Verde) e Cortês.

No âmbito do desenvolvimento comunitário e da infraestrutura social, são 14 obras em periferias que somam R$ 490 milhões em ações de qualificação urbana e ambiental, a exemplo da dragagem do Rio Beberibe, em fase de licitação, e da implantação da Unidade de Triagem em Abreu e Lima, já concluída. Para além da Região Metropolitana, a política de fortalecimento municipal viabiliza R$ 529,7 milhões por meio de convênios, impulsionando 156 obras de pavimentação e infraestrutura local em todas as regiões do estado. Complementando essa frente, o programa Ilumina Pernambuco direciona R$ 71 milhões para a modernização da iluminação pública, com a substituição das lâmpadas de vapor de sódio e mercúrio por luminárias em LED.

Investimentos da Cehab
O volume global da carteira de investimentos da Cehab atinge R$ 5,1 bilhões, sendo R$ 4 bilhões aplicados em 520 iniciativas em andamento e R$ 1,1 bilhão em 189 projetos sob acompanhamento, gerando 6.575 empregos diretos. O fluxo de desembolsos da Companhia Estadual de Habitação e Obras registrou evolução de R$ 29,5 milhões em 2023 para R$ 635 milhões em 2026.

“Atuamos no gerenciamento simultâneo de 709 iniciativas em andamento, além de outros 144 empreendimentos em fase de projetos, totalizando R$ 5,1 bilhões em execução e mais R$ 4 bi em planejamento. O monitoramento dessas obras, desde a construção de 169 creches até grandes intervenções de drenagem e saúde, segue protocolos de fiscalização para assegurar o cumprimento dos prazos licitatórios, das especificações de engenharia e das entregas contratuais”, afirma Paulo Lira, diretor-presidente da Cehab/PE.

As ações estão divididas em cinco diretorias operacionais:

  • Educação: carteira de R$ 1,45 bilhão, contemplando 200 obras em andamento (com foco na construção de 169 creches, 13 escolas e 17 areninhas), 59 em mobilização para início e oito em fase de licitação;
  • Habitação e Desenvolvimento Urbano: R$ 1,1 bilhão no total, englobando 107 obras em andamento — voltadas a pavimentação, saneamento, macrodrenagem e contenção de encostas — e 29 intervenções em licitação;
  • Saúde: carteira de R$ 972 milhões, composta por 30 obras em andamento, incluindo reformas nos hospitais da Restauração, Getúlio Vargas e Agamenon Magalhães e em maternidades estaduais, e cinco obras em licitação;
  • Infraestrutura: R$ 966 milhões destinados a 31 obras em andamento (como o Canal do Fragoso, a Via Metropolitana Norte e equipamentos culturais) e 13 em licitação, como a dragagem do Rio Beberibe e o novo campus da UPE em Caruaru;
  • Segurança: R$ 613 milhões alocados em 68 obras em andamento (complexos da Polícia Científica, batalhões da PM, delegacias e unidades prisionais), uma em contratação e quatro em licitação.

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Marcelo Aprígio

Jornalista pela UFPE. Foi repórter de política e economia no Jornal do Commercio e editor de conteúdo do Portal NE10/UOL. DRT 7839/PE.