PSDB/Cidadania desembarca do palanque de Raquel Lyra e amplia isolamento da governadora

A federação PSDB/Cidadania oficializou a neutralidade na disputa pelo Governo de Pernambuco e retirou o apoio à candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). A decisão, tomada após intervenção da direção nacional da legenda, representa mais um revés para a gestora, que, em menos de uma semana, viu quatro siglas deixarem sua base política, enquanto o ex-prefeito do Recife e candidato ao Governo, João Campos (PSB), ampliou sua frente de apoio.

A mudança foi formalizada por meio de uma ata registrada no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela comissão interventora da federação, que anulou a decisão da convenção realizada em 31 de julho, quando o grupo estadual havia homologado apoio à chapa formada por Raquel Lyra e Priscila Krause (PSD).

A intervenção foi conduzida pela Executiva nacional da federação, presidida pelo deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). A comissão interventora é composta exclusivamente por dirigentes nacionais, entre eles o próprio Aécio e o deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP), presidente e vice-presidente da federação, respectivamente.

Na nova deliberação, realizada por videoconferência na última quarta-feira (5), a federação decidiu não integrar nenhuma coligação para os cargos majoritários de governador, vice-governador e senador, liberando seus filiados para apoios individuais. Ao mesmo tempo, manteve válidas as candidaturas proporcionais à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados aprovadas na convenção anterior.

Com isso, a federação PSDB/Cidadania deixa oficialmente a base eleitoral de Raquel Lyra. Embora a posição adotada seja de neutralidade, o Cidadania em Pernambuco possui uma direção alinhada politicamente ao grupo de João Campos e já manifestou apoio ao candidato socialista.

Quatro perdas em uma semana

A saída da federação aprofunda o esvaziamento da base da governadora. Desde o início da semana, outras legendas também abandonaram o projeto de reeleição de Raquel Lyra, entre elas a federação Renovação Solidária (PRD/Solidariedade), o Mobiliza e a Democracia Cristã.

As siglas passaram a integrar a Frente Popular de Pernambuco, liderada por João Campos, que reúne PSB, Republicanos, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), PDT, MDB, Agir, além dos novos aliados, totalizando 12 partidos.

Enquanto isso, a coligação de Raquel Lyra passa a ser formada por apenas cinco legendas: PSD, Federação União Progressista (PP e União Brasil), Avante e Podemos.

Além do impacto político, a mudança influencia diretamente o tempo de propaganda eleitoral gratuita. Com a nova configuração partidária, João Campos deverá concentrar mais de 50% do tempo de rádio e televisão durante a campanha, ampliando sua capacidade de comunicação com o eleitorado.

A decisão assegura que Campos tenha o maior tempo no guia de rádio e TV: 5 minutos e 2 segundos. Raquel ficará com 4 minutos e 17 segundos. O candidato do PSOL, Ivan Moraes, terá 41 segundos.

Caso pode parar na Justiça

A disputa, no entanto, ainda pode ganhar novos capítulos na Justiça Eleitoral.

Isso porque o grupo ligado ao ex-presidente estadual da federação, Fred Loyo (PSDB), já prepara recursos para contestar a intervenção nacional e a anulação parcial da convenção. As informações deste possível recurso foram dadas pelo Blog Cenário.

Atualmente, constam no sistema do TSE duas atas da federação. A primeira, assinada pela antiga direção estadual, confirma o apoio à chapa de Raquel Lyra. A segunda, registrada pela comissão interventora, invalida apenas as deliberações referentes à eleição majoritária, preservando as candidaturas proporcionais.

Caso a judicialização avance, caberá à Justiça Eleitoral decidir qual das atas produzirá efeitos. O julgamento poderá criar um precedente pouco comum em Pernambuco, já que a discussão envolve a possibilidade de apenas parte de uma convenção partidária ser considerada inválida, mantendo válidas as demais deliberações.

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Marcelo Aprígio

Jornalista pela UFPE. Foi repórter de política e economia no Jornal do Commercio e editor de conteúdo do Portal NE10/UOL. DRT 7839/PE.